A defesa da policial militar Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos, afirmou que a soldado “agiu dentro da lei” ao efetuar o disparo que matou a ajudante geral Thawanna Salmázio, de 31 anos, durante uma abordagem na zona leste de São Paulo. Ao Uol, o advogado Alexandre de Souza Guerreiro afirmou que a policial efetuou apenas um disparo e solicitou socorro logo após o tiro. A soldado já prestou depoimento ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que conduz a investigação sobre o caso. Ela alega que agiu para se defender porque Thawanna teria avançado contra ela e dado um tapa no rosto, além de ter tentado pegar sua arma. “O que temos a dizer é que ela agiu dentro da lei, efetuou um único disparo e solicitou socorro imediatamente”, afirmou o advogado. Thawanna foi atingida no abdômen, chegou a ser levada ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos. Marido contesta versão e fala em demora no socorro A versão apresentada pela defesa é contestada pelo marido da vítima, Luciano Gonçalves Santos. Ele afirma que a esposa demorou mais de 30 minutos para receber atendimento após ser baleada e diz que foi impedido de acompanhá-la na ambulância. Segundo Luciano, ele tentou permanecer ao lado da companheira durante o atendimento, mas foi afastado pelos policiais ainda no local da ocorrência. “Quando eu olhei, vi o Samu, daí tranquilizei. Daí o Samu pegou, levou ela. Não deixaram eu ir com a minha mulher. Eu nunca mais vi minha mulher. Não deixaram. Eu queria ir na ambulância. Meu sonho era tá do lado dela ali e acompanhar até o hospital. Eu não sei o que aconteceu aquela noite. O que eles queriam comigo.” Ele também nega que Thawanna tenha tentado pegar a arma da policial, como relatado pela defesa. Policial disse que temeu perder a arma durante discussão Em depoimento, Yasmin afirmou que reagiu após ser agredida durante a abordagem. Segundo a versão apresentada pela soldado às autoridades, Thawanna invadiu seu espaço pessoal e desferiu tapas durante a discussão. Nada disso foi gravado, já que a PM não usava câmera corporal. A policial declarou ainda que tentou conter a mulher com empurrões e chutes, mas que ela continuou avançando. Nesse momento, segundo o relato, decidiu atirar por temer que a vítima tivesse acesso à arma. Abordagem começou após viatura encostar no marido A discussão que antecedeu o disparo começou após a viatura policial encostar em Luciano. Policiais disseram que ele se desequilibrou e bateu no veículo, mas o marido da vítima afirma que o carro foi direcionado contra o casal de forma intencional. Após a batida no retrovisor, o PM que dirige dá ré e volta para questionar Luciano, reclamando que ele estava andando na rua. Após o tiro, Luciano chegou a ser autuado por resistência por meio de um Termo Circunstanciado de Ocorrência e liberado em seguida. Ele nega ter reagido contra os policiais e afirma que apenas tentou socorrer a esposa. Caso é investigado como morte em intervenção policial A morte de Thawanna é investigada pela Polícia Civil como decorrente de intervenção policial e também é alvo de apuração interna da Polícia Militar. O Ministério Público acompanha o caso por meio do Grupo de Atuação Especial de Segurança Pública e Controle Externo da Atividade Policial (Gaesp). A soldado permanece afastada das atividades nas ruas e segue em funções internas enquanto as circunstâncias da ocorrência são apuradas. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, o caso tem prioridade nas investigações conduzidas pelas polícias Civil e Militar, com acompanhamento das corregedorias. A soldado Yasmin tem cerca de 1 ano na PM e apenas três meses de patrulha de rua, ainda em fase de estágio.
PM que matou mulher desarmada em abordagem ‘agiu dentro da lei’, diz advogado
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