A promessa de uma estrada regular no coração da Amazônia voltou ao radar e pode impactar diretamente o orçamento das famílias no Norte do país. O Governo Federal, por meio do Dnit, publicou quatro editais para obras de pavimentação na BR-319, focando no trecho mais crítico da rodovia. A expectativa é que a melhoria logística ajude a frear a inflação dos alimentos na região.
A chamada “rodovia do meio” é o único elo terrestre entre Manaus (AM) e Porto Velho (RO). Hoje, o fluxo de caminhões depende rigorosamente do clima: no período de chuvas, atoleiros travam o abastecimento por semanas. Quando a estrada para, a oferta de produtos cai e o preço nas prateleiras dispara.
Com os editais abertos e propostas previstas para o fim de abril, o governo tenta garantir trafegabilidade o ano inteiro. As obras abrangem do km 250,7 ao 590,1, divididas em quatro lotes dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A ideia é criar um corredor contínuo, reduzindo interrupções que afetam o transporte de itens básicos, como arroz, óleo e farinha.
Para o consumidor final, a mudança pode significar preços mais acessíveis. Caminhoneiros que fazem a rota relatam que a imprevisibilidade da viagem eleva o custo do frete, valor que é inevitavelmente repassado ao preço final da cesta básica.
Apesar do otimismo econômico, a obra enfrenta resistência. Especialistas alertam que pavimentar o trecho central da BR-319 pode impulsionar o desmatamento e pressões sobre terras indígenas. O histórico de ocupação em torno de outras rodovias amazônicas serve de alerta para os órgãos de controle.
O Ministério dos Transportes baseia o projeto nas conclusões do grupo de trabalho que define a BR-319 como uma “estrada-parque”. O conceito prevê medidas rigorosas de mitigação, como passagens de fauna e monitoramento eletrônico contra invasões. O objetivo é equilibrar o barateamento do custo de vida com a preservação da floresta em pé.
Para as populações locais, a estrada representa acesso a saúde e alimentação. O desafio do governo em 2026 será provar que é possível entregar asfalto no Norte sem entregar a floresta ao desmatamento.
O asfalto que falta para baixar o preço da comida no Norte
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