Pacientes denunciam descaso e possíveis irregularidades no Hospital Nair Alves e na UPA
A situação da saúde pública em Paulo Afonso volta a gerar preocupação e indignação. Chegaram recentemente à nossa redação três reclamações graves envolvendo o atendimento prestado a idosos, crianças e pessoas em situação de vulnerabilidade no Hospital Nair Alves e na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município.
Diante da gravidade dos relatos, torna-se uma obrigação social e jornalística levar essas informações ao conhecimento dos representantes públicos, em especial do gestor municipal, da Secretaria Municipal de Saúde e da administração do hospital, para que os fatos sejam apurados com a seriedade que o caso exige.
Relatos apontam falhas graves no atendimento
Segundo os pacientes e familiares ouvidos, em pelo menos uma das ocorrências o médico realizou o atendimento inicial e encaminhou o paciente para aplicação de medicação injetável. No entanto, o procedimento teria sido conduzido por uma pessoa sem a habilidade técnica necessária, que demonstrou dificuldade em localizar a veia do paciente, .
O que torna a situação ainda mais preocupante é que, conforme relatos, o profissional responsável pela aplicação trajava vestimenta identificando uma escola técnica, o que leva a crer que se tratava de estagiário ou aprendiz em treinamento.
Durante o procedimento, o paciente teria sido furado diversas vezes, sem sucesso, causando dor, desconforto. Somente após a reclamação do paciente é que outro profissional teria aparecido, alegando que “a veia estava dilatada”.
Possível negligência e imperícia
Os fatos narrados levantam questionamentos sérios sobre negligência, imperícia e falhas na supervisão profissional. De acordo com normas da área da saúde, estagiários e aprendizes não podem realizar procedimentos invasivos, como aplicações de medicamentos injetáveis, sem a supervisão direta e presencial de um profissional habilitado, devidamente registrado em seu conselho de classe.
Caso essas denúncias sejam confirmadas, a responsabilidade não recai apenas sobre o estagiário, mas também sobre a instituição de saúde e o profissional supervisor, que devem zelar pela segurança, dignidade e integridade física dos pacientes.
Gestores estão cientes da situação?
Fica a pergunta que ecoa entre os usuários do sistema de saúde:
Os gestores públicos, a Secretaria de Saúde e a administração do Hospital Nair Alves têm conhecimento do que está acontecendo?
Se têm, por que providências ainda não foram adotadas? Se não têm, por que os mecanismos de controle e fiscalização falharam?
Trata-se de uma situação grave, que envolve pessoas em seu momento mais frágil, buscando alívio para a dor e cuidado para preservar a vida.
Orientação à população
Caso você ou algum familiar tenha sido vítima de situação semelhante, é fundamental agir imediatamente:
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Registre a denúncia na Ouvidoria do Hospital ou da Secretaria Municipal de Saúde;
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Anote datas, horários, nomes (se possível) e detalhes do ocorrido;
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Se houver danos físicos, busque atendimento e registre o fato.
É compreensível que muitos pacientes temam represálias ou questionem se devem procurar novamente a mesma unidade de emergência. No entanto, o silêncio apenas perpetua práticas que precisam ser corrigidas.
Investigação é necessária
A população de Paulo Afonso merece respeito, atendimento digno e profissionais qualificados. Situações como essas não podem ser tratadas como algo normal. Elas exigem investigação imediata, transparência e providências concretas por parte dos responsáveis.
Saúde pública não é favor. É direito constitucional.
E quando esse direito é ameaçado, a sociedade precisa ser ouvida.