Lar Todas as Noticias Pai lembra de toda agonia até a morte do filho por dose incorreta de adrenalina: ‘Eu gritava: ‘volta Benício, volta e fica com a gente’

Pai lembra de toda agonia até a morte do filho por dose incorreta de adrenalina: ‘Eu gritava: ‘volta Benício, volta e fica com a gente’

por afonsobenites
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Quando os pais de Benício Xavier, 6 anos, Bruno Mello de Freitas e Joyce Xavier Carvalho, levaram a criança à emergência do Hospital Santa Júlia, em Manaus, no dia 22 de novembro, jamais cogitaram que ela sairia de lá sem vida. O pequeno deu entrada na unidade apresentando um quadro de tosse seca e febre. A suspeita era de laringite. Mas o erro na administração de uma dosagem de adrenalina fez tudo evoluir da pior forma muito rápido. A saturação caiu para cerca de 75%. Ele foi levado à sala vermelha e depois para a UTI por volta das 23h. Durante a intubação, sofreu as primeiras paradas cardíacas. Foram seis no total. Quando os pais se deram conta, estavam numa Unidade de Terapia Intensiva (UTI) vendo uma equipe tentar reanimar a criança após uma sequência de paradas cardíacas: “Eu tocava muito nele, apertava muito o pé dele. Eu gritava muito naquele leito. Gritava: ‘volta Benício, volta e fica com a gente, você tem força’. E eu rezava, era a única coisa ali como pai”, relembra o pai, em entrevista do Fantástico. Ele morreu às 2h55 do dia 23 de novembro. Na entrevista ao programa da TV Globo, o pai contou que, ao ser transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), o menino estava lúcido. Ele jantou e pediu água com frequência. “Ele me vê e toda vez que tosse ele pede: ‘pai, eu quero água’. Ele vai e dá só um golinho”. Minutos depois, a criança começou a ficar ofegante. Bruno conta que o filho estava sonolento e se mexia muito. A orientação da equipe médica, segundo ele, foi de que era preciso melhorar a oxigenação para evitar a intubação. “Eu falava com ele internamente: ‘Bora, filho. Bora. Melhora essa oxigenação’. Eu rezava muito, muito, ajoelhado do lado da maca e, infelizmente, essa oxigenação não chegava.” Sem apresentar melhora, pouco antes da meia noite, Benício passou pela primeira das três tentativas de intubação. “Ai, a partir desse momento, começa um entra e sai (de pessoas na UTI)”, relembra Bruno. Durante a intubação, a criança sofreu as primeiras paradas cardíacas. Foram seis no total, três delas testemunhadas por Bruno dentro da UTI. O pai de Benício relembra que a sexta e última parada cardíaca foi a mais demorada. Diante dos esforços dos médicos, e tomado por desespero, ele se ofereceu para ajudar. “Nessa última, no momento que a médica estava fazendo a oxigenação, eu recordo que eu vou lá com ela e digo: ‘você quer que eu ajude? Você quer que eu faça?’ Porque eu percebo que cansa, então ela disse: ‘não, pode deixar'”. Benício morreu às 2h55 do dia 23 de novembro. Para o pai, a lembrança maior que vai ficar é da criança que Benício era. “Uma criança pura, meiga, não era desobediente. O ser vivo mais puro que eu já encontrei, que eu conheci na humanidade”, diz Breno. As complicações que levaram ao fim precoce da vida de Benício iniciaram após uma adrenalina que deveria ser administrada via inalação foi injetada na veia da criança. O erro na prescrição foi seguido de um novo equívoco: uma técnica de enfermagem teria alertado à colega que a medicação era para ser inalada, mesmo assim, teve a orientação ignorada.  Segundo a família, a criança recebeu lavagem nasal, soro, xarope e três doses de adrenalina intravenosa de 3 ml a cada 30 minutos, aplicadas por uma técnica de enfermagem. “Meu filho nunca tinha tomado adrenalina pela veia, só por nebulização. Perguntamos, e a técnica disse que também nunca tinha aplicado desse jeito. Mas afirmou que estava na prescrição”, relatou o pai. O menino piorou rapidamente: ficou pálido, com membros arroxeados, e disse que “o coração estava queimando”. Em mensagens em que pediu ajuda ao médico Enryko Queiroz e em um documento enviado à polícia, a médica admitiu o erro. No entanto, a defesa dela afirma que a confissão foi feita “no calor do momento”. A técnica de enfermagem Raiza Bentes Paiva, responsável pela aplicação do medicamento, também é investigada. Ambas respondem ao inquérito em liberdade. O Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CREMAM) abriu processo ético sigiloso para apurar a conduta da médica no dia 26 de novembro. O Hospital Santa Júlia afastou tanto Juliana quanto a técnica de enfermagem Raiza Bentes. Em relatório enviado à Polícia Civil, ao qual a Rede Amazônica teve acesso, Juliana reconheceu que errou ao prescrever adrenalina na veia. Ela afirmou ter informado à mãe que a medicação deveria ser administrada por via oral e disse ter se surpreendido pela enfermagem não questionar a prescrição. A técnica Raiza Bentes declarou que apenas seguiu o que estava registrado no sistema. O delegado Marcelo Martins investiga o caso como homicídio doloso qualificado, considerando inclusive a possibilidade de crueldade.

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