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Quem colocou o alfabeto em ordem alfabética? A incrível história de como falamos quase grego

por afonsobenites
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Afinal, por que a ciência, da matemática à medicina, usa tanto o alfabeto grego? A recente decisão da OMS (Organização Mundial da Saúde) de utilizar as letras gregas para se referir às variantes do coronavírus Sars-CoV-2 (para evitar associá-las a países ou povos) reacendeu essa curiosidade. Se você já se perguntou por que o nosso alfabeto e o grego são tão semelhantes, mas não idênticos, a resposta está em uma fascinante história que começou há cerca de 4 mil anos no Oriente Médio. A criação do alfabeto, a ideia revolucionária de ter símbolos para representar sons individuais (fonemas) em vez de palavras ou sílabas, surgiu uma única vez na história humana. Isso aconteceu por volta de 2 mil anos antes de Cristo, na região do Levante, onde hoje ficam países como Síria, Israel e Jordânia. Antes dessa invenção, povos como os chineses e egípcios usavam símbolos que representavam ideias ou sílabas inteiras. Os autores do primeiro alfabeto foram os semitas, povos que falavam línguas similares ao hebraico e árabe atuais. Eles se inspiraram nos hieróglifos egípcios, que, apesar de funcionarem como ideogramas, já possuíam símbolos para consoantes sozinhas. Os semitas adaptaram esse conceito de forma engenhosa. Para criar a letra A, por exemplo, usaram o desenho simplificado de uma cabeça de boi, porque a palavra semítica para “boi”, “aleph”, começava com o som de “A”. Da mesma forma, a palavra para “casa”, “beth”, forneceu a origem e o desenho para a letra B. O alfabeto não ficou restrito ao Levante. Os fenícios, um povo semita conhecido por sua próspera civilização comercial marítima no Mediterrâneo, pegaram essa invenção, aprimoraram-na e a espalharam. Foram eles que levaram sua versão do alfabeto semítico, por meio de navios, para a Grécia e, posteriormente, para Roma (via etruscos). É por isso que a nossa sequência de letras é tão parecida com a grega e a cirílica (usada na Rússia e em outros países). O alfabeto latino que usamos e o grego são como primos muito próximos, porque “derivam todos da versão do alfabeto semítico usada pelos fenícios”. Por causa dessa origem compartilhada, a ordem das letras e o som de muitas delas são aproximadamente os mesmos. Por exemplo, o “B” latino, o “β” (beta) grego e o “Б” cirílico correspondem à mesma letra fenícia e têm o mesmo som. Se a origem é comum, o que explica a ordem das letras ser quase a mesma? Essa sequência alfabética, que começa com A, B, C… e se mantém “quase idêntica até hoje”, é um mistério. Os historiadores não sabem dizer se houve uma razão simbólica que se perdeu ao longo de 4 mil anos ou se foi apenas uma convenção prática. Independentemente da razão inicial, a ordem se consolidou e se tornou um pilar de organização do mundo, influenciando desde os primeiros dicionários até as bases de dados atuais. O alfabeto fenício original tinha um problema: ele não usava vogais, que ficavam subentendidas na escrita. É como se escrevêssemos “vc” em vez de “você”, o que, dependendo do contexto, poderia gerar confusão. Os gregos perceberam essa limitação, especialmente porque sua língua dependia da duração e abertura dos sons vocálicos. Por isso, ao adotarem o alfabeto, eles criaram as vogais, seguindo um critério: distribuíram-nas da mais aberta (A) para a mais fechada (U). Essa adição grega tornou o alfabeto muito mais eficiente e fácil de usar. O alfabeto continuou a se transformar. Ao longo da história, quando uma nova língua precisava usar um alfabeto pré-existente, ela o adaptava. Os romanos, por exemplo, não usavam as letras V e W, sons que eram representados pela letra U. A criação de letras novas, acentos gráficos ou a reciclagem de letras para novos sons é um processo comum. Os romanos adicionaram o V e o W, junto de Y e Z, apenas na Idade Média. As línguas e os alfabetos, “como seres vivos ao longo das gerações”, estão em constante e gradual mutação. Essa flexibilidade é a razão pela qual, de um único ancestral semítico, temos hoje uma diversidade de alfabetos que continuam a se adaptar às necessidades de cada idioma.

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