Cuidar da saúde, do bem-estar e da longevidade dos animais de companhia vai muito além de escolher uma boa ração ou manter uma rotina de passeios. A administração, o armazenamento e a compra de medicamentos veterinários também exigem atenção dos responsáveis. Desde a prescrição até o momento de oferecer um comprimido ou aplicar uma vacina, cada etapa pode influenciar o sucesso do tratamento e a segurança do pet. Para orientar as famílias sobre esses cuidados, a MSD Saúde Animal reuniu as principais recomendações de manejo e reforça a importância de adquirir produtos de procedência confiável para garantir a segurança dos animais. O primeiro passo para um cuidado adequado com a saúde animal é seguir a prescrição do médico-veterinário. Nenhum tratamento deve ser iniciado por conta própria ou com base em informações encontradas na internet. Além de seguir corretamente a receita, o responsável pelo pet deve observar alguns cuidados na rotina, como:
- Atenção aos horários: se o medicamento foi recomendado para determinado período do dia, é importante respeitar os horários indicados pelo profissional.
- Associação com alimentos: é necessário verificar se o medicamento deve ser administrado em jejum ou junto com a ração ou petisco, de modo a favorecer a absorção adequada e evitar desconfortos gástricos.
- O “truque” do pet: especialmente no caso de medicamentos orais, como comprimidos e cápsulas, é importante confirmar se o cachorro ou gato realmente engoliu o produto. É comum que os animais escondam o medicamento na boca e o cuspam posteriormente.
- Vacinação é com o médico-veterinário: vacinas e produtos biológicos não devem ser aplicados pelo próprio responsável. Esses produtos exigem a manutenção da chamada “cadeia de frio”, com temperatura constante entre 2°C e 8°C, e devem ser administrados por um médico-veterinário capacitado.
Para o médico-veterinário e coordenador técnico da MSD Saúde Animal, Marcio Barboza, os cuidados com armazenamento e aplicação são indispensáveis: “Atenção especial deve ser dada às vacinas, pois qualquer oscilação de temperatura fora do padrão recomendado compromete gravemente a eficácia do imunizante, deixando o animal vulnerável a doenças graves”, alerta. Falhas no manejo dos medicamentos, desde a conservação inadequada em casa até o uso de substâncias incorretas ou sem indicação profissional, podem representar riscos à saúde dos pets. Erros de dosagem ou a administração de substâncias inadequadas podem provocar intoxicações e causar lesões em órgãos vitais, como hepatotoxicidade, que corresponde à destruição de células do fígado, e nefrite química aguda, que compromete os rins. Da mesma forma, produtos tópicos de baixa qualidade ou aplicados de maneira incorreta podem provocar queimaduras químicas, dermatites de contato e queda localizada de pelos. Outro risco está relacionado à eficácia do tratamento. Quando um medicamento perde sua efetividade em razão de armazenamento ou administração inadequados, a doença de base pode não ser controlada corretamente. No caso de antiparasitários e vermífugos, por exemplo, o animal pode ficar sem a proteção esperada e exposto a doenças transmitidas por parasitas, como a erliquiose, conhecida como doença do carrapato, e a dirofilariose, causada pelo chamado verme do coração. De acordo com Marcio Barboza, conhecer esses riscos é fundamental para prevenir complicações: “Muitos quadros clínicos graves chegam aos consultórios não por falta de afeto do responsável, mas por pequenos deslizes na hora de administrar ou guardar o produto. Um local úmido ou uma dose mal administrada anulam o potencial de cura e abrem margem para complicações severas na saúde do animal”, completa. Procedência certificada Os cuidados com horários, administração e armazenamento podem ser comprometidos quando não há garantia sobre a procedência do medicamento. Produtos falsificados e comercializados no mercado ilegal podem não oferecer garantias de qualidade, segurança ou eficácia. A escolha de produtos de procedência certificada é importante para reduzir riscos de intoxicação provocados pela presença de componentes adulterados, solventes ou impurezas que podem sobrecarregar órgãos vitais. A compra em canais confiáveis também ajuda a garantir que o medicamento contenha o princípio ativo correto e preserve a finalidade do tratamento prescrito. “A escolha por produtos com procedência certificada é o que assegura a eficácia clínica e protege o pet contra os perigos de compostos adulterados que colocam a saúde do animal em risco. O nosso compromisso deve ser sempre com a precisão terapêutica e o bem-estar do paciente”, pontua o médico-veterinário. Para reduzir os riscos de adquirir produtos sem garantia de origem, a orientação é buscar medicamentos em estabelecimentos especializados e confiáveis, como clínicas veterinárias credenciadas, pet shops de confiança e distribuidores autorizados que tenham suporte técnico dos fabricantes. No momento da compra, o responsável deve adotar alguns cuidados preventivos, como verificar se lacres e selos de segurança estão intactos, conferir a presença da bula oficial em português e observar se o número do lote está legível. Caso haja qualquer dúvida sobre o aspecto, a textura ou o cheiro do produto antes da utilização, o médico-veterinário deve ser consultado para avaliar a situação.